Coordenador: Alexandre Clistenes de Alcântara Santos
Inventários de fauna acessam diretamente a diversidade de uma localidade no espaço e no tempo. Estes dados primários representam uma das ferramentas mais importantes na tomada de decisões a respeito do manejo de áreas naturais. O acelerado processo de intervenção antrópica nas últimas décadas vem desencadeando uma série de impactos, gerando alterações no habitat, mudanças climáticas, introdução de espécies e poluição. A necessidade de mapeamento da biodiversidade torna-se uma prioridade, visto que grande parte desta riqueza pode até mesmo não ser conhecida a tempo e importantes serviços ecossistêmicos sejam perdidos.
O Brasil é um país megadiverso e grandes esforços para mapeamento da biodiversidade foram empregados principalmente nas regiões próximas aos biomas dos maiores centros urbanos, como a Mata Atlântica e o Cerrado. Apesar das dimensões continentais da Amazônia, grupos de pesquisa também se empenharam em amostrar zonas-chave e registrar a riqueza deste bioma altamente rico em biodiversidade. Por outro lado, o semiárido foi preterido durante décadas por ser um ambiente com duras características climáticas, e taxado de ambiente com fauna pobre. Estas mesmas particularidades ambientais foram as responsáveis por uma rica e complexa fauna repleta de endemismos que vem sendo registrada por pesquisadores nas últimas décadas.
Estudos sobre a composição e os padrões de distribuição dos vertebrados na região semiárida do Brasil se intensificaram a partir da implementação da primeira edição do PPBio Rede do Semiárido que, desde então, concentra esforços em pesquisas biológicas nas Áreas Prioritárias para investigação científica, indicadas pelo Ministério do Meio Ambiente. Várias destas áreas foram inventariadas, trazendo informações valiosas e inéditas sobre a biogeografia e biologia das espécies, bem como o reconhecimento de espécies novas.
Nesta nova edição do PPBio Rede do Semiárido, um grupo de pesquisadores especialistas de diferentes táxons de vertebrados, oriundos de diferentes instituições de ensino e pesquisa (UEFS, UESB, UFBA, UESC, UFS) e do Instituto Federal Baiano, apresenta uma proposta para continuidade das ações estabelecidas por esta rede de pesquisa. Nesta proposta, serão contempladas as Linhas de Ação 1 – Inventários Biológicos; 2 – Estado e Cenários da Biodiversidade; e 3 – Comunicação Pública da Ciência sobre a Biodiversidade Brasileira. O principal objetivo da presente proposta é dar continuidade às ações da Rede PPBIO Semiárido, envolvendo coletas e estudos com diferentes grupos de Vertebrados em em áreas no Semiárido da Bahia, tendo a UEFS como instituição sede.
Este subprojeto será dedicado ao estudo de cinco grupos zoológicos: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Serão realizadas coletas de espécies em áreas com extrema ou alta diversidade biológica, com extrema ou alta prioridade para ações de conservação na região, em áreas no Semiárido da Bahia, com diferentes formações geológicas: a) Dunas do São Francisco (Caatinga de dunas interiores sobre formação sedimentar); b) Estação Ecológica de Canudos (Caatinga arbustivo-arbórea sobre formação arenosa distrófica); c) Norte de Feira de Santana (floresta estacional decidual sobre formação cristalina) e Morro do Chapéu (Caatinga rupícola sobre afloramentos calcários e outros substratos rochosos).
A etnobiologia possibilita a compreensão local sobre as espécies de interesse sociocultural, buscando esclarecer os tipos de conexões que se estabelecem entre comunidades humanas e a biodiversidade que as rodeia.